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sábado, 19 de novembro de 2011

Quase tênis

Na quadra pública há tenistas que jogam bem.

Outros, nem tanto.

Na democracia da praça todos se misturam.

E nos jogos surgem jogadas e golpes que se aproximam daquilo que é feito pelos grandes tenistas.

Se aproximam, eu disse.

Quase 


Em complemento ao post anterior (já sabendo da eliminação do Bellucci), sobre fundamentos do tênis, vamos revelar agora, tennis lover, alguns dos golpes mais populares na quadra pública.

Preste atenção e veja se você não está praticando um esporte que é quase tênis.

Arsenal


O primeiro dos golpes predominantes na pracinha é o FORAHAND.


Ele é parecido com o forehand a não ser por um conjunto de detalhes. Enquanto o forehand é aquela direita demolidora, o FORAHAND é aquela patada de direita reta que faz a bola sair igual a um pombo sem asa, como diria o Sílvio Luiz.

"Olho no laaaanceee!" SL

A bola só não arranca a cabeça do voleador da rede ou porque ele sai da frente ou porque vai tão alta que nem com escada daria para alcançar. Só para na cerca ou no matagal.



O segundo golpe é um pouco mais complexo. É o BREQUEHAND.

Semelhante ao backhand, o BREQUEHAND, em vez de ser a devastação das paralelas e o pânico das cruzadas ao melhor estilo Guga Kuerten, é uma esquerdinha travada, daí o nome, com o bracinho coladinho como se o tenista tentasse esconder o cheiro do sovaco vencido. Com o BREQUEHAND o máximo que o atleta consegue é que sua bola morra na rede quando, não raros os casos, ainda quica na própria quadra. Um horror.

Vamos ao terceiro golpe do arsenal.

Preste atenção.

É quase igual ao drop shot. Se chama DROP SHIT.

Longe de ser uma deixadinha de sublime categoria, o DROP SHIT é uma largada sem controle e efeito, mais para defeito. Um cocô em forma de lance.


Na foto, vemos Roger Pires, também chamado pelos humorados colegas da praça de Vera Verão, Venus Williams, Milk e outros apelidos. Roger aprendeu a jogar na quadra pública. É um bom tenista, mas tem no currículo algumas vergonhas como esta pose cheia de frescor na perfeita execução de um DROP SHIT.


Boa ilustração, Roger!
Merci, mon ami!


Para encerrar, o pai e a mãe de todos os deprimentes golpes acima descritos e demonstrados.

É o ERRO NÃO ESFORÇADO.

Quase um erro não forçado, aquele em que o tenista tenta com toda a alma uma bola e acaba errando sozinho, o ERRO NÃO ESFORÇADO é a materialização da preguiça em quadra. É cometido pelo atleta que plantado, mais parece uma palmeira pronta para fornecer suculentos palmitos. Este tenista só bate seguro quando a bola vai até ele e só se mexe pra valer quando alguém oferece um doce, uma Coca-Cola ou solta um pittbull na cancha. Uma calamidade.

Tennis lover, se este é seu arsenal mais executado, você está quase jogando tênis.

Quase pronta




As obras de recuperação da quadra 1 do Parque Germânia avançam. Sem chuva, já foi possível colocar a capa do piso. Em breve deve começar a pintura. O prazo para entrega das duas quadras, renovadas, é 5 de dezembro, se não houver atrasos.


C´mon.

Das raquetes às luvas

Tênis é luta.
Tênis é estratégia.
Tênis é emoção.
Tênis é inteligência.

A vitória de ontem do nosso Thomaz Bellucci permite uma comparação com outro esporte.

Pensemos no MMA.

Dois lutadores se enfrentam. Um, muito forte fisicamente. Outro, menos massudo. O combate se dá e o menos forte vence fácil.

Por quê?

Por ter mais técnica e maior controle das ações no ringue. Sabe onde bater e como. Domina os golpes e acerta com precisão o adversário. Varia a maneira de atacar e defender, surpreendendo o adversário e, sem se expor, ganha.

O lutador técnico é admirado, respeitado e temido.
É um campeão.

Das luvas às raquetes


Bellucci, número 37 do mundo, está numa fase ruim. Venceu ontem o eslovaco Martin Klizan, número 90 do ranking no ATP Challenger Finals, em São Paulo, na marra. Arrancou a vitória necessária para se classificar às semifinais na bacia das almas, como diria Paulo Cleto, no tie braek do 3º set.

Mas Thomaz não jogou bem.
Ganhou esperneando.


Resistindo à dominação do adversário que também não é um tenista superior ao brasileiro. Eles se equivalem neste momento, apesar da diferença no ranking. A vitória de Bellucci veio carregada de uma série de erros não forçados, de perda de foco, de descontrole emocional, de pouca versatilidade nos golpes.


Thomaz Bellucci venceu e a única virtude vista foi a da persistência.

Das raquetes às luvas


Comparando o jogo de ontem a uma luta, Bellucci venceu lutando mal.
Acertou um golpe, levou vários e poderia ter perdido com a mesma margem com a qual ganhou.

Não amassou Klizan.

Assim como na luta um atleta não se torna um admirado campeão com mata-cobras, no tênis, sem qualidade nos tiros, cabeça e fundamentos, não se conquista o louro dourado do respeito e dos grandes títulos.

Nas mãos e nas mentes


Fernando Fontoura, filiado à United States Professional Tennis Registry, USPTR, diz o seguinte:

"Tênis é 90% fundamentos. (...) Se seus fundamentos não estão bons, você conseguirá praticar alguns golpes razoáveis, mas estará criando maus hábitos e também limitando seu potencial." (FONTOURA, Fernando. Configure seu Jogo - O tênis além do instinto. Página 83. Ed. Libretos)


Então, tennis lover, nem na pracinha você está ganhando daquele funcionário de São João, que só solta balão sem peso?

Vá logo refletir e treinar.

E convida o Bellucci.